Onde tudo começou...
Sou carioca, nascido no Rio de Janeiro. Vivi até os 27 anos no Lins de Vasconcelos, na Zona Norte da cidade — bairro onde passei minha infância e adolescência e onde também iniciei minha trajetória profissional na vida adulta.
Sou filho de um engenheiro civil — que, nas horas vagas, também foi professor de Matemática — e de uma professora de Língua Portuguesa. Sou o caçula de quatro irmãos, e todos seguimos caminhos ligados às ciências exatas.
Desde cedo, decidi unir a lógica do pensamento científico e matemático, fortemente presente em minha formação familiar, com a vocação para o ensino e para a formação de pessoas, inspirada especialmente pela trajetória da minha mãe. Foi dessa combinação que nasceu minha escolha profissional: tornar-me professor de Física.
Professor da Educação Básica e pesquisador em formação...
Aos 19 anos, em 2005, iniciei minha trajetória docente, lecionando para turmas do Ensino Médio em uma escola no Méier, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Desde então, a sala de aula passou a ocupar um lugar central na minha trajetória profissional e acadêmica.
Foram 16 anos de atuação direta na Educação Básica, período em que trabalhei em mais de 28 instituições de ensino com características, públicos e propostas pedagógicas bastante distintas. Lecionei Física nas redes pública e privada; em cursos preparatórios para ingresso em universidades e carreiras militares; em cursos técnicos profissionalizantes; em escolas confessionais e construtivistas; na Educação de Jovens e Adultos (EJA); e em instituições fortemente voltadas à preparação para exames de ingresso no Ensino Superior.
Na Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC-RJ), atuei no Ensino Médio regular, na Educação de Jovens e Adultos e em cursos voltados à formação de professores. Essa diversidade de experiências foi fundamental para a maneira como hoje compreendo a formação docente: professores precisam estar preparados para ensinar em contextos sociais, culturais e educacionais muito diferentes entre si.
Durante esse mesmo período, construí minha formação acadêmica. Sou Licenciado em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mestre em Ensino de Ciências, na modalidade Física, pela Universidade Federal Fluminense (UFF), e Doutor em Ensino de Física pela UFRJ. Posteriormente, realizei estágio pós-doutoral no Instituto de Física da UFRJ.
Também acumulei experiências no Ensino Superior, ministrando disciplinas em cursos de Engenharia de instituições privadas e atuando como professor substituto no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), especialmente em cursos de formação de professores.
Professor universitário e pesquisador em Ensino de Física...
Desde março de 2022, sou professor da área de Ensino de Física do Departamento de Física do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense (UFF), atuando principalmente na formação inicial de professores nos cursos de Licenciatura e também no Bacharelado em Física.
A partir de 2023, passei a atuar como professor permanente e orientador de mestrado nos dois programas de pós-graduação da UFF diretamente relacionados ao Ensino de Física e de Ciências: o Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (PROFIS-MNPEF), da Sociedade Brasileira de Física, Polo 15, sediado na UFF, e o Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências da Natureza (PPECN/UFF).
Desde 2025, atuo também como coorientador de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências, Tecnologias e Inclusão (PGCTIn/UFF). No mesmo ano, assumi a vice-coordenação do curso de Licenciatura em Física da UFF, campus Niterói, para o período de 2025 a 2029.
Minha trajetória como pesquisador está profundamente relacionada à minha experiência como professor. Desenvolvo pesquisas no campo do Ensino de Física e do Ensino de Ciências, especialmente sobre formação inicial e continuada de professores, inserção da Física Moderna e Contemporânea na Educação Básica, atividades experimentais, questões contemporâneas no ensino, divulgação e comunicação científica e processos de recontextualização dos conhecimentos científicos para diferentes contextos educacionais.
Nos últimos anos, minhas pesquisas também têm se aproximado da Teoria Histórico-Cultural, da Teoria da Atividade e da pedagogia freireana, buscando compreender os processos de formação de conceitos, ensino, aprendizagem e formação docente a partir das relações sociais, históricas e culturais nas quais esses processos estão inseridos.
Formação de professores, Ensino de Ciências e atuação na escola pública...
Minha atuação acadêmica procura manter uma relação permanente entre universidade, formação de professores e Educação Básica.
Atualmente, sou coordenador auxiliar de rede do programa Mais Ciência na Escola no estado do Rio de Janeiro, participando da implementação de laboratórios maker em 30 escolas públicas fluminenses. A iniciativa busca ampliar o acesso de estudantes e professores a práticas investigativas, experimentação, cultura maker e educação científica.
Também coordeno o projeto de extensão Sei Mais Física, desenvolvido no Instituto de Física da UFF, voltado à produção e divulgação de videoaulas e materiais educacionais de Física.
Essas experiências dialogam diretamente com uma questão que acompanha minha trajetória desde a Educação Básica: como aproximar a produção científica, a universidade e a formação de professores das diferentes realidades vivenciadas nas escolas?
Divulgação Científica como pesquisa, formação de professores e aproximação entre ciência e sociedade...
A Divulgação Científica constitui hoje uma dimensão importante da minha atuação como pesquisador e professor, especialmente quando articulada à formação docente e à aproximação entre instituições científicas, universidades, escolas e sociedade.
Sou um dos idealizadores e entre 2018 e 2026, atuei no comitê de organização da Escola Sirius para Professores do Ensino Médio – ESPEM, iniciativa realizada em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). Participei da estruturação e organização das edições anuais da Escola, representando a Sociedade Brasileira de Física.
Realizada no Sirius — a fonte brasileira de luz síncrotron e uma das mais avançadas infraestruturas científicas do país —, a ESPEM promove formação continuada para professores de Física, Química e Biologia. Um de seus principais objetivos é aproximar docentes da Educação Básica da ciência brasileira produzida na fronteira do conhecimento, contribuindo para que esses professores também se tornem multiplicadores e divulgadores da ciência em suas escolas e comunidades.
Sou pesquisador membro do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Física Nuclear e Aplicações (INCT-FNA), no qual, além das atividades de pesquisa, atuo entre os responsáveis pelas ações de Divulgação Científica do grupo. Essa participação permite articular temas de Física Nuclear, suas aplicações e a pesquisa científica brasileira com iniciativas de Ensino de Física, formação de professores e popularização da ciência.
Também integro o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia CERN Brasil (INCT-CERN Brasil), atuando como pesquisador da área de Pesquisa em Ensino de Física e como integrante da equipe coordenadora do IPPOG-Brasil, voltada às atividades de Ensino e Divulgação da Física de Partículas. Nesse contexto, participo de iniciativas que procuram aproximar professores, estudantes e sociedade das pesquisas realizadas em Física de Partículas e de grandes colaborações científicas internacionais, incluindo aquelas relacionadas ao CERN.
Ao longo dessa trajetória, também participei de projetos de Divulgação Científica e transferência de conhecimento para a sociedade vinculados ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Nanodispositivos Semicondutores (INCT-DISSE) e de iniciativas de formação de professores de Ciências desenvolvidas pelo South American Institute for Fundamental Research (ICTP-SAIFR), localizado no Instituto de Física Teórica da UNESP.
LAPED — Pesquisa em Ensino e Divulgação da Ciência...
Coordeno o Laboratório de Pesquisa em Ensino e Divulgação da Ciência — LAPED/UFF, grupo criado em 2022 com o objetivo de articular pesquisa, formação de professores, Ensino de Física e de Ciências e Divulgação Científica.
O LAPED desenvolve pesquisas relacionadas ao ensino e à formação docente, além de projetos voltados à comunicação e popularização da ciência. Um de seus princípios é contribuir para que o conhecimento produzido na universidade ultrapasse seus próprios muros e dialogue com professores, estudantes, escolas e outros espaços sociais.
Nesse sentido, buscamos pensar a Divulgação Científica não apenas como transmissão de informações científicas, mas também como um espaço de formação, produção de conhecimento e aproximação entre ciência, educação e sociedade.
Sociedades científicas e atuação na comunidade científica...
Minha trajetória acadêmica também envolve a participação em sociedades científicas e em ações de organização da comunidade de Ensino de Física.
Sou associado à Sociedade Brasileira de Física (SBF), à Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC) e à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Por meio da participação nessas sociedades, atuo nos principais eventos de pesquisa em Ensino, de ações de ensino e de divulgação científica do país, como o Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF), o Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), o Simpósio Nacional de Ensino de Física (SNEF) e as Reuniões Anuais da SBPC.
Na Sociedade Brasileira de Física, fui eleito secretário adjunto estadual no Rio de Janeiro, exercendo o primeiro mandato entre julho de 2025 e julho de 2026 e sendo reeleito para um segundo mandato, com atuação prevista até julho de 2028.
Atuei na comissão científica e na comissão local do SNEF 2025, evento que reuniu cerca de 1.000 inscritos e foi realizado na Universidade Federal Fluminense (UFF). Integro também a comissão de organização do EPEF 2028. Além disso, participo do Grupo de Trabalho de Física no Ensino Fundamental, proposto durante a Assembleia do EPEF 2026, realizado na Universidade de Brasília (UnB).
Essa participação está vinculada a uma compreensão que atravessa minha trajetória profissional: o fortalecimento do Ensino de Física depende da articulação entre universidade, professores da Educação Básica, programas de pós-graduação, sociedades científicas, centros de pesquisa e políticas de formação docente.
Ensino de Física, formação de professores e ciência brasileira...
Depois de mais de duas décadas desde minha primeira experiência em sala de aula, continuo compreendendo minha atuação como professor e pesquisador a partir da relação entre ensino, formação docente, pesquisa e Divulgação Científica.
Interessa-me especialmente investigar como conhecimentos científicos são produzidos, recontextualizados e transformados quando chegam aos espaços de formação de professores e às salas de aula. Nesse percurso, temas como Física Moderna e Contemporânea, Física Nuclear, Física de Partículas, grandes infraestruturas científicas brasileiras, atividades experimentais e questões científicas contemporâneas têm ocupado um lugar cada vez mais importante em minhas pesquisas.
Mais do que levar conteúdos científicos para a escola, procuro compreender como podemos formar professores capazes de estabelecer relações entre ciência, sociedade, cultura e realidade, valorizando tanto o conhecimento científico produzido no Brasil quanto os diferentes contextos nos quais o ensino acontece.
Minha trajetória começou em uma sala de aula da Educação Básica. É desse lugar — e das perguntas que surgiram nele — que continuam vindo muitas das questões que orientam minha atuação como professor universitário, pesquisador e formador de professores.